Criando para geração y

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Algum tempo atrás participei do desenvolvimento de um projeto específico para geração Y. Na época achei muito interessante a empresa utilizar esta denominação para definir o target do seu produto e o direcionamento para criação e inovação. Claro que era um produto para jovens e projetar para jovens é sempre muito estimulante. Mas a geração Y tem uma “pegada” diferente, é “A” geração tecnológica, multitarefas, questionadora, evoluída, sintonizada, que costuma compartilhar tudo: experiências, realizações, impressões e sentimentos.

No brainstorm da agência muitas questões foram levantadas e a mais importante foi: O que inspira esta geração jovem? Auto confiantes precisam acreditar na mensagem ou ela não tem valor. Otimistas e emocionais se empolgam quando engajados. Games, diversão, velocidade e movimento fazem parte de suas vidas como o ar que respiram.

Conceitos criativos como grafites urbanos, tatoos, música, toy arts, baladas, esportes radicais, ícones digitais de redes sociais e games foram os elementos utilizados para a estruturação dos layouts. Simbolos imprimindo valores relevantes ao produto, buscando uma conexão de linguagem visual com o consumidor alvo. Material pronto fomos apresentar o trabalho.

Qual minha surpresa quando percebi que meus clientes também eram geração Y. Um grupo de jovens agitados, impacientes, tomando refrigerante, comendo chocolate, digitando no celular e no laptop (provavelmente respondendo e-mails e navegando em redes sociais). Confesso que fiquei na dúvida se alguém naquela sala ouviu o que eu disse ou viu o que apresentei. Será que minha apresentação deveria ter sido mais veloz, mais tátil, mais interativa? Talvez. Mas sei que todos os presentes entenderam muito bem tudo o que foi apresentado. Apenas não precisam mais ficar focados em uma única ação, são multi-sintonizados.

Este foi um valioso aprendizado sobre esta geração que agora é a maioria de nossos consumidores e dos profissionais produtivos do país. E observando os processos de criação e construção de novos produtos, marcas e embalagens percebo quanto o processo mudou. Do layout desenhado a guache que demorava dias para ser feito que hoje o desenho digital reduziu para horas. O cliente que antes aprovava um “raf” confiando que o resultado final ia ficar bom, hoje visualiza exatamente como seu produto vai ficar exposto na gôndola. Penso que esta evolução foi exigida e provocada pela geração Y, que faz da tecnologia sua parceira mais próxima, acelerando e influenciando em ondas as mudanças comportamentais e produtivas ao seu redor.

O melhor exemplo aconteceu este ano quando duas jovens empresarias, mães, criativas, ligadíssimas, resolveram transformar o transtorno de trocar fraldas e do drama do desfralde de seus filhos em negócio. Foram algumas reuniões de muita conversa, conceituação, idéias, layouts e desenhos. Sempre feito por várias cabeças e muitas mãos. É o cliente co-criando, participando de cada etapa, interferindo, alterando, evoluindo e formatando o produto junto. Enquanto finalizava as artes das embalagens, os produtos já estavam sendo divulgados, vendidos, mídias sociais acionadas. Tudo ao mesmo tempo, com paixão, envolvimento, protagonistas e criadoras. O nome dos produtos não poderiam ser mais simples e objetivos: “Desfralde” e “Trocador”. O nome da empresa não poderia ser mais envolvente: “Baby&me”. O logotipo reflete o amor incondicional de mãe para filho. A embalagem colorida, objetiva, fácil, moderna, prática e presenteável, porque o consumidor não pode perder tempo, compra no site, acredita no que vê e é um bom presente para dar em chá de bebê.

Um resultado moderno, jovem, descomplicado e verdadeiro. Como as idealizadoras deste projeto que durou apenas um mês porque os produtos já tinham data marcada para o lançamento. Um lançamento para a geração Y feito por ipsilons.

Rita de Cássia M. Ardezzoni – Partner e Diretora de Criação da R1234 Art Design – rita@r1234.com.br